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Primeiras lentes de contacto — o guia honesto antes de começar

Diárias ou mensais? Doem? Posso dormir com elas? Um guia direto para quem está a pensar usar lentes de contacto pela primeira vez — com as regras que evitam problemas e a verdade sobre o que esperar.

Primeiras lentes de contacto — o guia honesto antes de começar

As lentes de contacto são, para muita gente, uma libertação — desporto sem óculos a escorregar, óculos de sol normais no verão, o rosto sem armação quando apetece. Mas começar bem exige mais do que comprar uma caixa: exige uma adaptação feita por um profissional, e algumas regras que não são negociáveis. Este guia explica o que esperar antes da primeira lente.

Há uma ideia errada de que lentes de contacto se compram como quem compra óculos de sol prontos. Não é assim. Uma lente de contacto é um dispositivo médico que assenta diretamente na córnea — e a córnea é um dos tecidos mais sensíveis do corpo. Uma lente mal adaptada, ou mal cuidada, pode causar desde desconforto a infeções sérias. Bem adaptada, passa o dia esquecida.

Quem pode usar lentes de contacto

Quase toda a gente, na prática. Miopia, hipermetropia, astigmatismo e até presbiopia (com lentes multifocais) têm hoje soluções em lente de contacto. Idade não é impedimento — há crianças a usar lentes por razões clínicas e há pessoas a começar aos 60.

Mas há situações que exigem cuidado redobrado ou desaconselham: olho seco acentuado, certas alergias, algumas profissões com ambientes muito poeirentos ou secos, e infeções oculares recorrentes. É por isto que a adaptação começa sempre com uma avaliação — não com uma venda.

O passo que não se salta: a consulta de adaptação

Antes da primeira lente, fazemos uma consulta de contactologia. Não é a mesma coisa que a consulta de optometria para óculos — a graduação de óculos e a de lentes de contacto são diferentes, porque a lente assenta diretamente no olho e não a 12 mm de distância.

Nessa consulta:

  1. Medimos a curvatura da córnea — cada olho tem uma forma própria, e a lente tem de assentar nela. Uma lente com a curva errada move-se a mais ou aperta a mais.
  2. Avaliamos o filme lacrimal — a quantidade e qualidade da lágrima determinam se vai tolerar bem as lentes e por quantas horas.
  3. Escolhemos o material e a modalidade conforme o seu olho e o seu estilo de vida.
  4. Ensinamos a colocar e a tirar — sim, na própria consulta. Ninguém sai sem saber fazê-lo com segurança.
  5. Marcamos uma reavaliação — para confirmar que o olho está a reagir bem após uns dias de uso.

Diárias, quinzenais ou mensais?

A pergunta mais comum. A resposta depende de quanto vai usar e do seu olho.

Lentes diárias (descartáveis)

Usa um par novo todos os dias e deita fora à noite. Sem caixa, sem líquido, sem manutenção.

Fazem sentido quando: usa lentes ocasionalmente (desporto, fins de semana, eventos), tem tendência a olho seco ou alergias, ou simplesmente quer o máximo de higiene e conveniência. São a opção mais saudável para o olho — cada lente é estéril e nova.

Custo: mais caras ao dia se usar todos os dias, mas imbatíveis para uso ocasional.

Lentes quinzenais e mensais

Usa o mesmo par durante 15 ou 30 dias, guardando-o à noite numa caixa com líquido próprio.

Fazem sentido quando: usa lentes todos os dias e quer reduzir o custo mensal. Exigem disciplina de limpeza — não há atalhos na higiene.

Custo: mais económicas para uso diário, mas implicam comprar também o líquido de manutenção.

As regras de higiene que não se negoceiam

A esmagadora maioria dos problemas com lentes de contacto vem de erros de higiene — não das lentes em si. Estas regras evitam praticamente todos os sustos:

  • Lavar sempre as mãos antes de tocar nas lentes. Sempre.
  • Nunca usar água da torneira nas lentes nem na caixa. A água pode conter um microrganismo (Acanthamoeba) que causa infeções graves da córnea. Só líquido próprio.
  • Nunca dormir com lentes que não sejam expressamente aprovadas para uso prolongado. Dormir com lentes normais multiplica o risco de infeção.
  • Não usar lentes no banho, piscina ou mar sem óculos de proteção estanques.
  • Renovar a caixa a cada 1-3 meses e nunca "completar" o líquido antigo — deitar fora e pôr novo.
  • Respeitar o prazo — uma lente mensal ao 35.º dia não é uma poupança, é um risco.

O que é normal e o que não é

Nos primeiros dias, é normal sentir uma ligeira consciência da lente e algum lacrimejo — o olho está a habituar-se. Em poucos dias, desaparece.

Não é normal, e obriga a tirar a lente e contactar-nos: dor (não desconforto, dor), vermelhidão acentuada, visão turva que não passa ao piscar, sensibilidade à luz, ou sensação de areia que não alivia. Na dúvida, tira-se a lente — o olho vem sempre primeiro.

Lentes e presbiopia: a opção que poucos conhecem

Quem passou dos 45 e usa óculos para ler pode pensar que as lentes de contacto deixaram de ser para si. Não é verdade: as lentes multifocais permitem ver ao longe e ao perto, como as progressivas em óculos. A adaptação é mais exigente e nem todos se dão bem, mas para muitos é a diferença entre depender ou não dos óculos no dia-a-dia.

Quanto custa começar

Sem rodeios: o investimento inicial é a consulta de adaptação e as primeiras caixas. Depois, o custo mensal depende da modalidade e de quanto usa. Numa primeira conversa em loja estimamos o custo real para o seu caso — uso ocasional e uso diário têm contas muito diferentes.

Vale ainda a pena saber que muitos seguros e subsistemas comparticipam lentes de contacto graduadas, tal como os óculos.

Por onde começar

Se está a pensar experimentar lentes de contacto, o primeiro passo é a consulta de contactologia. Avaliamos o seu olho, ensinamos a manusear com segurança e só recomendamos lentes se forem adequadas a si. Sem pressão e sem vender o que não precisa.

Pode marcar online ou passar por qualquer das nossas lojas, em Santa Catarina e nos Aliados. A visão é demasiado importante para se experimentar às cegas.

Tem dúvidas sobre o que leu? Marque uma consulta connosco.

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